O substantivo «esoterismo» é de
formação relativamente recente, por comparação com o adjetivo «esotérico», de
origem grega, de onde deriva.
O adjetivo
eksôterikos, -ê, -on («exterior, destinado aos leigos, popular, exotérico») já
existia em grego clássico, ao passo que o adjetivo esôterikos, -ê, -on («no
interior, na intimidade, esotérico») surgiu na época helenística sob o Império
romano. Diversos autores os utilizaram. Veremos dentro em pouco alguns
exemplos.
Têm a sua origem, respectivamente, em
eisô ou esô (como preposição significa «dentro de», como advérbio significa
«dentro»), e eksô (como prep. significa «fora de», como adv. significa «fora»).
Destas partículas gramaticais
(preposição, advérbio) os gregos derivaram comparativos e superlativos, tal
como no caso dos adjetivos. Em regra, o sufixo grego para o comparativo é
-teros, e para o superlativo é -tatos. Por exemplo, o adjetivo kouphos, «leve»,
tem como comparativo kouphoteros, «mais leve», e como superlativo kouphotatos,
«levíssimo». Do mesmo modo, do adv./prep. esô obtém-se o comp. esôteros, «mais
interior», e o sup. esôtatos, «muito interior, interno, íntimo».
O adjetivo esôterikos deriva,
portanto, do comparativo esôteros. Certos autores, porém, talvez mais
imaginosos, propõem outra etimologia, baseada no verbo têrô que significa
«observar, espiar; guardar, conservar». Assim, esô + têrô significaria qualquer
coisa como «espiar por dentro e guardar no interior». Segundo
Riffard, (Prof. Pierre A. Riffard — Investigador de Metodologia de Esoterismo e
professor Catedrático na Université de Novakchott (Mauritânia); o esoterismo tanto
existe no Ocidente como no Oriente, desde a pré-história até aos nossos dias, e
tem a ver com o mistério da existência tal como é percebido pelos seres
humanos; além disso, Riffard critica certos investigadores acadêmicos que
procuram estudar o esoterismo «de fora», como se pudesse existir um «fenómeno
cultural esotérico» independentemente do esoterismo em si. Segundo Riffard, a
essência do esoterismo é, ela mesma, «esotérica»; na sua monumental obra de perto
de 400 páginas, L’ésotérisme, Riffard interroga-se: «Pode alguém ser um
esoterólogo sem ser, ao mesmo tempo, um esotérico?» De acordo com este ponto de
vista, elabora uma descrição do esoterismo segundo as oito invariáveis que, em
sua ótica, o caracterizam:
(1) A impessoalidade do autor;
(2) A oposição
esotérico/exotérico;
(3) A noção de «o subtil» como mediador entre o espírito e
a matéria;
(4) Analogias e correspondências;
(5) A importância dos números;
(6)
As ciências ocultas;
(7) As artes ocultas;
(8) A Iniciação.
Existem muitas controvérsias em
relação ao que se refere aos estudos esotéricos, mas outros autores simplificam
a questão considerando que o esoterismo se constituiu no Ocidente como
disciplina autônoma, e pouco a pouco, a partir de finais da Idade Média, porque
a teologia e a ciência absorveram certos temas que o integravam, eliminando
outros que, por serem mais inquietantes ou pertencerem ao imaginário mais perturbador,
acabaram com essa expulsão ou mesmo perseguição, por integrar as correntes
esotéricas ocidentais, sobretudo a partir do Renascimento. No Oriente, pelo
contrário, a teologia contém os temas esotéricos e, por conseguinte o
esoterismo não precisa de se constituir como disciplina aparte. Segundo este ponto
de vista, pode-se falar em esoterismo associado às varias escolas e tendências
que se desenvolveram no Ocidente na linha dos ensinamentos de Marsilio Ficino
(1433-1499), de Pico della Mirandola (1463-1494) e de Johannes Reuchlin
(1455-1522), esoterismo esse que floresceu, sobretudo, na Europa e nos séculos
XVI e XVII. A sua principal característica é a rejeição da linguagem
comunicativa como expressão da verdade, e a pretensão de que é nas camadas não
semânticas da linguagem que se oculta a antiga Sabedoria. Em extensão a este
conceito, não se pode ignorar a importância do pensamento judaico e dos textos
hebreus na Europa, cujo torat hasod (conhecimento esotérico) constituiu um
corpo específico de tradições secretas na cultura judaica, no centro do qual, e
a partir do século XIII, se encontra a Cabala, (primeira religião), que teve
uma influência de indiscutível relevo no esoterismo cristão.

A partir desse primeiro post, vamos
tentar navegar pelo mundo do conhecimento do esoterismo. Mas de forma mais leve
e solta, de forma moderna e não obstante arcaica em seus conhecimentos e
estudos.
Conto com vocês em nossas próximas postagens e assim poderemos trocar conhecimentos e bagagens.
Até mais.
Nill
Dumont